quarta-feira, 14 de novembro de 2012

XXXI - Heautontimoroumenos 2.0

Se eu gosto de estragar-me todo dia,
Perdão, Deus; me fizestes Vós assim.
Do fumo eu gosto, de álcool, de anarquia,
Mas tempo há que não gosto mais de mim.

 Eu sou ferida e faca, roda e membro.
A mim mesmo flagelo e firo e fodo.
Me pus eu desde quando já não lembro
A destruir-me aos poucos com denodo.

E tal qual Vós do barro me formastes,
O maior e mais pútrido dos trastes,
Também fiz-me uma cópia deformada;

No imo a engendrei, depois caguei-a,
Essa versão mais fétida e mais feia
De mim, o demiurgo da privada.

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