terça-feira, 27 de abril de 2010

XVI

Quando eu bebo p'ra caralho,
Eu me torno obus fecal;
Fica assim toda em frangalhos
Minha flora intestinal.

Mas me não sai nada duro,
Nada firme ou ortomorfo.
Sai-me pelo magno-furo
Qualquer coisa que nem gorfo.

Mal dá tempo que eu me sente
E já vem, incontinenti,
Um marrom fluido e não denso.

Sempre causo grandes danos,
Pois não cago stricto sensu,
Antes mijo pelo ânus.

domingo, 28 de março de 2010

XV - Καλεπα τά καλα

Tem dias em que sinto-me tão mal,
Tão ruim, tão lixo, quase tendo um treco,
Que só melhora mesmo o meu astral
Se sento na privada e lá defeco.

Mas não é qualquer tipo de cagão:
Só vale aquele que é um exercício.
Pois, como bem diria-nos Platão,
É belo, muito belo o que é difícil.

Há que gemer, suar p'ra mais de hora!
Bem mais gratificante é a cagada
Se a louça só a custo a merda borra.

Por isso aqui eu sento e me contorço
Até que tanja o fundo da privada
Algum cocô nervoso e troppo grosso.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

XIV

Tu me dizes que eu sou feio,
troglodita e beberrão;
que meu copo vive cheio,
que eu sou duro como o chão.

Sem embargo, minha amiga,
eu bem sei o que tu sentes:
não importa o que tu digas,
tu me queres loucamente.

Quando cagas à noitinha
refletindo sobre o mundo,
eu bem sei por quem suspiras.

Sei que tu, bem lá no fundo,
Sonhas ser um dia minha
E lamber a minha lira.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

XIII

Aproveitando o clima carnavalesco, fiz este soneto a pedido do André.


Dia desses, Carnaval,
cabreiríssimo da vida,
ao desfile, na avenida,
fui e lá mostrei meu pau.

Mas com'isso 'num bastô'
para o meu desenfastio,
Agachei no meio-fio,
agachei e fiz cocô.

E pr'à troça pôr um fim,
E acabar com meu spleen,
Fiz foi um'obra de arte.

Sim, leitor, pra terminá-la,
Empossei-me do estandarte
E empalei o Mestre-Sala.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

XII

S'um dia cair-me o cu,
Mata-me e lança-me ao mar.
Acaso hás de querer tu
Qu'eu exista sem cagar?

Amigo, se tal desdita
Um dia sobrevier-me,
Sem dó me esfaqueia a derme!
Faz'-me beber chá de fita!

Mas vê! Antes de jogares
Meu corpo inerte nos mares,
Minhas vísceras retira;

Faze buchada com elas,
Põe croutons, sal, beringelas,
E serve ao molho caipira.

domingo, 20 de dezembro de 2009

XI

πάντα χωρει καί ουδέν μένει*
Heráclito

Que importa quanto faça cá o homem?
Como diria o de Cinoscefale**,
Sonho de sombra é! Que quer que fale,
Estude ou faça, morre; e os vermes comem.

A bela amada por quem tu te agitas
Um dia não será que uma carcaça.***
No mundo tudo morre, tudo passa;
É tudo inútil e vão! Omnia vanitas!


Até mesmo essa pizza de palmito
De cheiro bom, de aspecto tão bonito,
Será cocô fedido, amorfo e feio.

Agora já fizeste essa cagada.
Mas nada importa! Larga os teus anseios
E vê se pede logo outra rodada.











* - "Tudo se movimenta, nada permanece."
** - Píndaro. Sim, olhei no Wikipedia pra descobrir que ele veio desse tal lugar chamado Cinoscefale.
*** - Sim, roubei isso do Baudelaire. Aproveitei e fiz um galicismo sintático idiota pra combinar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

X

Ó vida. Ó azar. Ninguém me quer.
Ninguém me ama. Vou comer cocô.
E com Nescau. Talvez c'uma colher
Vá parecer até petit gateau.

Ó céus. Que dor estou sentindo no
Meu peito por não ter ninguém ao lado.
Eu sinto-me qual se Átila, o Huno,
Tivesse-me co'a lança trespassado.

Meu Deus, como essa coisa ficou gay!
Mas que merda de quartetos eu fiz?
Não os compus; eu antes os caguei.

Melhor jogar 'sa porra na privada
Com todos os meus versos pueris
E nunca mais tentar escrever nada.














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