quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

II

Cagar é algo muito interessante,
Cagar é a coisa mais legal que existe.
Ontem caguei uma peça de Liszt;
Hoje caguei um poema de Dante.

Nesta vida terrena não há nada
Que se lhe possa comparar, oh não!
Nenhum prazer, arte ou amor é tão
Satisfatório quanto uma cagada.

Vaguei, vaguei, vaguei por todo canto
Sem, no entanto, encontrar felicidade;
(Em coisas muitas, em prazeres vários!)

Até que encontrei cá meu acalanto!
Não há nada melhor, eis a verdade,
Que um confortável vaso sanitário.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Textículo

Andava como se quisesse sorver tudo aquilo: os sorrisos, a música, a sublime impalpabilidade etérea, quase onírica, daquela noite crivada de luzes. De repente teve um alumbramento: tudo - não só aquele instante, mas todos quanto vivera, isso sim! -, tudo era um mero prelúdio para a sinfonia que se haveria de tocar; era o primeiro verso do soneto; era o primeiro raio de luz que violava o negrume impúbere da noite, anunciando uma nova e esplêndida aurora

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

100 sonetos de merda

Decidi escrever um livro de sonetos. Vou chamá-lo de 100 sonetos de merda. Primeiro porque todos vão abordar mais ou menos o curioso e inextrincável universo dos coliformes fecais. E depois porque a minha produção poética é de gosto bastante duvidoso. Este aqui saiu ontem, de madrugada, sentado no trono:


Em vez de a dor que me trazes
Desbaratar "c'umas Brahma",
Faço co'o fígado as pazes,
Que por descanso ele clama.

Antes cá, no papel, meto
A dor que sinto na pele;
Talvez eu faça um soneto
E limpe a bunda com ele.

Gostei! Farei isto agora!
(Que me perdoe Petrarca...)
E então, a ti, sem demora:


"Fiz um soneto. Quer's vê-lo?
Eu vou mandar-te por carta.
Tomara gostes do selo."
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